O teste positivo a EPO de Matteo de Bonis, ciclista da Vini-Zabù, deixou a equipa italiana em maus lençóis. É o 2º caso de doping nesta formação nos últimos 12 meses e a equipa ainda está à espera de uma possível suspensão por parte da UCI, tal como aconteceu com a Burgos-BH no passado.
Para além disso, depois de conhecido este caso de doping, houve rusgas policiais às instalações da equipa e de vários ciclistas e membros do staff, pois em Itália o uso de substâncias dopantes é considerado crime. A formação transalpina decidiu aplicar uma espécie de auto-suspensão na tentativa de salvar o convite para o Giro, um convite que já tinha levantado muita tinta. A RCS Sport, entidade organizadora do Giro, decidiu deixar a melhor equipa Pro Continental dos últimos anos, a Androni, de fora, convidando a Vini-Zabù, quando a Vini-Zabù até teve um caso de doping positivo durante o Giro de 2020.
Hoje a equipa liderada por Luca Scinto emitiu um comunicado a dizer que abdica do convite e da consequente participação no Giro em 2021, dizendo que “decidiu enviar uma mensagem importante ao mundo do ciclismo, uma lição para todos os atletas que ainda querer ir por atalhos” e que “a nossa desistência da corrida italiana mais importante é um acto de amor ao ciclismo.”
Esta foi uma acção concertada com os patrocinadores da equipa e ocorreu depois da investigação interna sobre o caso de De Bonis, tendo a equipa pedido ao ciclista para colaborar com as autoridades competentes. Ainda assim, a Vini-Zabù arrisca uma suspensão de 15 a 45 dias por parte da UCI, uma suspensão que poderia ou não abranger o Giro. Claramente esta é uma espécie de “saída a bem”, em que todas as partes comunicaram e chegaram à conclusão que seria melhor assim. Não seria descabido pensar que a RCS Sport até prometeu à equipa que a convidaria para o Giro em 2022 para ter este desfecho.
E agora? O que acontece ao convite que ficou disponível? Cabe à RCS Sport decidir se quer ter um Giro com menos 1 equipa, o que duvidamos, ou se decide atribuir o convite a outra formação. Caso opte pela 2ª via, a escolha óbvia é a Androni Giocattoli-Sidermec de Gianni Savio, apesar dos conflitos entre as 2 partes serem visíveis.
Atualização (13h25):
A organização do Giro d’Italia já tomou uma decisão e, como esperado, a Androni Giocatolli-Sidermec recebeu o wildcard em questão.