A organização da Volta ao Algarve confirmou esta manhã as 25 equipas que vão participar na corrida algarvia bem como o traçado a ser utilizado na competição. A génese continua igual, mas as pequenas mudanças poderão ter uma implicação muito grande nas contas finais. Mantém-se o esquema de 2 etapas planas, 2 etapas de montanha e 1 contra-relógio, alteram-se os detalhes e a quilometragem.
A partida irá ser dada em Portimão, dia 16 de Fevereiro, numa ligação de quase 200 quilómetros até Lagos, uma cidade que tem acolhido alguns finais de etapa. Os últimos vencedores foram Fernando Gaviria, Dylan Groenwegen e Fabio Jakobsen, sendo que no ano passado esta tirada foi disputada no sentido inverso, Lagos-Portimão.
Um primeiro teste aos candidatos à classificação geral ocorre logo na 2ª etapa, com a chegada ao Alto da Fóia, que viu Tadej Pogacar vencer em 2019, Remco Evenepoel triunfar em 2020 e Ethan Hayter impor-se em 2021. Com partida em Albufeira, desta vez a mudança está na aproximação à subida final. Em vez da habitual passagem pelo Alto da Pomba, uma subida curta e duríssima, os ciclistas vão abordar a Picota, com 9,3 kms a 5,5% de inclinação média, uma ascensão com um perfil totalmente diferente do Alto da Pomba e que vai ficar a 15 quilómetros da meta.
A 3ª etapa será de ligação, mais uma jornada ao sprint, com partida em Almodôvar e final em Faro, mais uma novidade já que a capital de distrito algarvia não acolhia um final de etapa desde 2008, quando ganhou o poderoso alemão Robert Forster. Será um longo dia de 209,1 kms, uma rodagem importante para os corredores que estejam a preparar as clássicas.
E na 4ª tirada surge a grande mudança, o contra-relógio. Primeiro o local será diferente, em vez de Lagoa, terá partida em Vila Real de Santo António e chegada a Tavira, algo que não acontecia num esforço individual desde 2013. Mas a grande alteração é a extensão, passa de 20,3 kms para 32,2 kms, beneficiando bastante os contra-relogistas.
O grande final está guardado para o local de sempre (pelo menos nos últimos anos), o Alto do Malhão. Com partida de Lagoa, serão 173 kms ao todo, e está de regresso a dupla passagem pela icónica subida, a primeira quando faltarem 24 kms e a segunda a coincidir com a meta, veremos quem sucede a Miguel Angel Lopez e Elie Gesbert.
De uma forma global é um traçado que obviamente beneficia muito mais os contra-relogistas e que praticamente retira qualquer possibilidade de vermos um puro trepador a ganhar a Volta ao Algarve, se antes já era difícil, agora será impossível de todo porque o equilíbrio na montanha é cada vez maior. Os melhores em cima da “cabra” entrarão na corrida com outras perspectivas e se a etapa da Fóia não for realmente endurecida aí estão mesmo mais à vontade para gerir a corrida.
Por outro lado, esta mudança é péssima para as equipas portuguesas, que habitualmente perdem muito tempo nos contra-relógios para equilibrar a balança na Fóia e no Malhão. Se recuarmos no tempo, Amaro Antunes foi 10º à geral em 2020 e João Rodrigues 9º em 2019, eles perdem no contra-relógio para o vencedor do mesmo 1:39 e 2:09, respectivamente, agora imaginem estas diferenças exponenciadas para um traçado de 32 kms em vez de 20 kms. Será muito mais complicado ver um ciclista de uma equipa portuguesa no top 10 da geral, devendo apostar tudo numa possível vitória de etapa.
Em relação às equipas presentes, a grande maioria delas já tinha sido apresentada, juntam-se às 10 equipas Continentais portuguesas 10 do World Tour (Astana, Bora-Hansgrohe, Cofidis, Groupama-FDJ, Ineos Grenadiers, Intermarche-Wanty-Gobert, Quick-Step, Jumbo-Visma, Trek-Segafredo e UAE Team Emirates) e 5 Profissionais Continentais (Alpecin-Fenix, Caja Rural, Euskaltel-Euskadi, Humam Powered Health e Arkea-Samsic).