O ciclista belga Wout van Aert foi um dos corredores mais bem-sucedidos de 2020, acabando no terceiro lugar do ranking individual do World Tour, e já faz projeções para a nova temporada. Com tantos resultados positivos, foi-lhe atribuído o troféu de mérito desportivo 2020 da Bélgica, sucedendo à seleção belga de futebol, premiada em 2019. Um prémio que já foi vencido por ciclistas reconhecidos mundialmente, como Eddy Merckx, Axel Merckx, Tom Boonen e Philippe Gilbert.
Van Aert acabou a época com seis triunfos, vencendo a Strade Bianche, Milan-Sanremo, uma etapa do Critérium du Dauphiné, o campeonato nacional belga de contrarrelógio e duas etapas no Tour de França. Obteve também boas prestações nos campeonatos do Mundo, em Imola, terminando em segundo lugar, em ambas as provas, estrada e contrarrelógio, na categoria de elite. Na última prova em que participou, o famoso Tour de Flandres, foi apenas batido por Mathieu Van der Poel.
O belga fez um Tour excecional, para além de ter vencido por duas ocasiões, fez ainda um trabalho notável para o seu líder Primoz Roglic, mesmo na alta montanha, e começaram a surgir algumas questões envolvendo a possibilidade de Van Aert se tornar um ciclista mais focado nas classificações gerais e provas por etapas.
” Expandir o meu palmarés de clássicas continua a ser a prioridade, talvez um dia mude de rumo, mas isso ainda é um caminho longo a percorrer. Gostava de brilhar primeiro no Tirreno-Adriático, Critérium du Dauphiné ou Tour da Suiça. A curto prazo, é possível, especialmente em corridas de etapas com contrarrelógio, como o Tirreno. Adorava tentar correr para uma classificação geral em 2021, e mais tarde nas clássicas, como a Liège-Bastogne-Liège e o Giro da Lombardia”, referiu o ciclista ao Cyclingnews.
O ciclista de 26 anos falou ainda da sua rivalidade com Mathieu Van der Poel, ambos vindos do ciclocrosse. Os dois corredores debateram-se numa guerra de palavras após a Gent-Wevelgem. “Mesmo que o Mathieu me vença, como no Tour de Flandres, eu serei o segundo melhor do mundo. Felizmente, a perceção na estrada é diferente do que se vive no ciclocrosse. Porque no ciclocrosse é só entre nós os dois, o derrotado é sempre o “perdedor”, que é pior do que o outro. Mas quando, como no Tour de Flandres, rebentamos com o motor dos outros corredores, para fora da nossa roda, então, todos percebem o quão bons somos.”
“Na vertente de ciclocrosse, onde nos destacamos, é diferente. Penso mais sobre o Mathieu durante a semana, sobre como posso vencê-lo, e como posso ajustar o meu treino às suas qualidades mais fortes”, disse o belga ao Cyclingnews. “Perder uma corrida de ciclocrosse será certamente mais fácil de aceitar do que ser derrotado no Tour de Flandres”, concluiu o belga.